Formação fora de campo
Pivetes de Aço participam de atividade de leitura crítica
Acostumados ao ritmo de treinos e jogos, os atletas das categorias de base do Bahia viveram uma experiência diferente. Durante dois dias, os jogadores participaram do Projeto Bahêa de Leitura Crítica, um programa que propõe uma visão além das quatro linhas, com leituras e debates de textos, imagens, filmes e obras de arte. O objetivo é estimular os garotos a aprender a ler, pensar e se expressar com mais clareza.
O projeto foi construído pelo Bahia, através do Departamento de Desenvolvimento Humano, em parceria com a professora e pesquisadora Eliane Fittipaldi, com a colaboração do curador Daniel Rangel.
No auditório do CT Evaristo de Macedo, cerca de 165 atletas das categorias sub-14, sub-15, sub-16, sub-17 e sub-20 iniciaram a atividade respondendo a questionário sobre os seus hábitos de leitura. Na sequência, eles analisaram obras literárias adequadas para a faixa etária. Após a análise, iniciou-se um debate sobre os temas.
Responsável por coordenar a ação, a professora Eliane Fittipaldi valorizou a participação dos atletas do durante a atividade e destacou a importância da leitura na formação do cidadão e um componente fundamental para auxiliar na tomada de decisão dentro de campo.
“Tivemos uma interação muito bonita em que os meninos começaram um pouquinho tímidos, um pouquinho recolhidos, e foram se abrindo para discussões, para imaginação, para aquilo que a arte pode trazer. A ideia é que eles expandam a sua consciência, a sua maneira de ver o mundo, que enriqueçam essa maneira de ver o mundo, que ampliem os seus conhecimentos. E eu, com a minha experiência, espero trazê-los um pouquinho mais para esse mundo da leitura crítica”, disse ela antes de completar:
“Eu acredito que o mundo hoje necessita disso, e principalmente num mundo como o futebol, que é tão fechado em que eles lidam tanto com o corpo, eles pararem um pouquinho para refletir em quem eles são, no que eles desejam, quais são seus sonhos. Como é que eles estão se relacionando com tudo isso dentro desse seu mundo e dentro do mundo mais amplo? Porque nem tudo é futebol, né? Eles são mais do que o futebol, embora isso seja muito importante para eles”, afirmou Eliane.
Gerente de desenvolvimento humano do Bahia, Martha Di Bella explica que o clube utiliza o futebol como ferramenta para a formação integral dos atletas, buscando contribuir para a construção de valores e para o desenvolvimento de cidadãos conscientes e íntegros. Dentro dos processos formativos, são realizadas atividades semanais voltadas à educação e ao crescimento pessoal dos jovens.
“A gente entende que desenvolver a capacidade de leitura é melhorar a habilidade dos meninos em entendimento com o futebol. São processos que podem transformá-los em pessoas melhores e melhores em campo, é a nossa proposta. A gente deseja que a cada dia os meninos se conheçam mais. A abordagem da Eliane tem muito a ver com a identidade de cada um, que eles se conheçam mais e que eles consigam transmitir com mais tranquilidade o que eles são dentro do campo e fora dele, ou seja, em todos os campos da vida, para que a gente tenha jogadores de futebol para além do futebol, que a gente tenha pessoas que saibam se conhecer e viver no mundo e transformar esse mundo pessoal e coletivo melhor”, disse.