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Waldemar da Costa:100 anos

Primeiro presidente do Bahia completaria centenário. Costa construiu Fazendinha, comprou escritório administrativo, terreno da Sede e levou clube à Europa.

13 out 2003 | 18H37

O dia 14 de outubro de 2003, esta terça-feira, marca o que seria o centenário de Waldemar de Azevedo Costa, o primeiro presidente do Esporte Clube Bahia. Um dos fundadores do Esquadrão, Waldemar dirigiu o clube em três oportunidades – em 1931; de 1937 a 1938 e de 1955 a 1957. Ele foi um dos principais responsáveis pela formação do patrimônio físico do Tricolor. Em suas gestões, o clube construiu o primeiro campo de treinos, comprou o primeiro escritório administrativo e o terreno no qual seria construída a Sede de Praia.

A saga de Waldemar no Bahia começou antes mesmo da existência do Tricolor. Na virada do ano de 1930 para 1931, na famosa reunião que deu origem ao Bahia, no Jockei Club do Estado, Costa foi aclamado pelos conselheiros da nova instituição esportiva, de forma unânime, presidente do Esquadrão de Aço, por sua alta capacidade de liderança e personalidade forte.

Sob o comando de Waldemar, o Bahia conquistou seus primeiros títulos – do Torneio Início do Estadual e de Campeão Baiano invicto, ambos em 1931. Waldemar foi o responsável por organizar a estrutura administrativa do Bahia e de aglutinar e unir os conselheiros do clube no início de sua trajetória.

Em 1956, no segundo ano do terceiro mandato, Waldemar da Costa começou a construir, num terreno de 12.500 m2, no bairro do Costa Azul, em Salvador, o primeiro campo de treinamento do Tricolor – a conhecida “Fazendinha”, inaugurada dois anos depois. O empreendimento foi bancado pelo “Bolo Tricolor” – um programa de sorteio de prêmios para torcedores, uma espécie de rifa, comercializado semanalmente. O Bolo foi criado por Waldemar, juntamente com o lendário ex-presidente Osório Villas-Boas e o torcedor Aldegar Ribeiro Costa. A Fazendinha foi utilizada até 1971, ano em que foi inaugurado o Fazendão – atual Centro de Treinamento.

Ainda em 1956, Costa concluiu a construção do primeiro escritório administrativo do Bahia, no terceiro andar do edifício Saga, na Rua Carlos Gomes, em Salvador – imóvel que até hoje pertence ao clube e também foi bancado pelo Bolo Tricolor. Dois anos depois, também com dinheiro do Bolo, Waldemar adquiriu o terreno na Boca do Rio onde seria construída a Sede de Praia, pelo valor de 3 milhões de cruzeiros velhos – uma fortuna na época.

Depois de “arrumar a casa”, Waldemar Costa resolveu mostrar seu Bahia para o mundo. Foi ele quem organizou a primeira excursão do clube à Europa, em 1957. O Esquadrão de Aço jogou 29 jogos, durante três meses, na Inglaterra, França, Alemanha, Tchecoslováquia, Bélgica, Dinamarca, Holanda, Suíça e Rússia. O retrospecto foi amplamente favorável – 15 vitórias, seis empates e oito derrotas, marcou 72 gols e sofreu 57.

Waldemar da Costa se formou em medicina, em 1924, mas não seguiu a profissão. Resolveu trabalhar com o pai na firma Costa & Filho, Comércio de Exportação e Importação, fundada em 1830. Waldemar foi Secretário da Associação Comercial da Bahia, em 1930. Casou-se com Dona Nair Ferreira de Carvalho, com a qual teve quatro filhos. Faleceu em 12 de maio de 1970, aos 67 anos, num acidente automobilístico. No sepultamento, seu corpo foi envolto pela bandeira do Bahia e levado pela torcida tricolor, que superlotou o cemitério, em reconhecimento a um dos homens mais importantes e decisivos na construção do maior e mais vitorioso clube do futebol do Nordeste em todos os tempos.