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O poeta tricolor

Pamplona escreve um texto novo a cada triunfo

29 set 2014 | 22H02

Juiz do Trabalho Titular da 1ª Vara de Salvador, o professor Rodolfo Pamplona Filho é mais um fiel torcedor azul, vermelho e branco na multidão. Mas tem uma peculiaridade: doutor e mestre em Direito, ele começou a ser conhecido como o “Poeta Tricolor”.

A cada triunfo do Bahia no Brasileiro, Pamplona escreve um poema novo. Começou no jogo contra o Figueirense, em Feira de Santana, e coincidiu com a melhor sequência do Esquadrão no campeonato.

“Encontrei com a delegação em uma viagem e prometi a Lomba, Titi e Douglas Pires que, a cada triunfo do nosso time, eu faria um novo poema com as emoções que senti no jogo. Tomara que eu realmente possa compor muito”, diz o jurista. Confira o quarteto:

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O Desabrochar do Irmão mais novo

Não é fácil ser o filho caçula…
Não é fácil ser o Benjamim
em um mundo cheio de firulas,
expectativas e sonhos sem fim!

Toda estrela de uma constelação
não pode ficar à sombra do irmão!
Todo astro pode iluminar o breu,
como um sol de um sistema só seu!

Assim, ensina a todo o universo
a importância de seu próprio verso
para compor a beleza da canção,

no lindo movimento de desabrochar,
para, a todos, mostrar e privilegiar
com o talento de sua explosão.

Salvador, 28 de setembro de 2014, dia do aniversário de minha mãe, para Emanuel Biancucchi.

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O momento da Reação

Quando ninguém parece acreditar…
Quando outros sucumbiriam à pressão…
Quando tudo soa como a conspirar…
É o momento da Reação!

Quando se ouvirem fortes vaias…
Quando se chocar pela tensão…
Quando sentires que torcem que caias…
É o momento da Reação!

Somente reage quem tem a gana
de enfrentar o desafio com altivez!
Somente constrói sua própria fama
quem sabe que chegou sua vez!

E chegou o momento de reagir!
BBMP!

Rio de Janeiro, 24 de setembro de 2014, para William Barbio e todo o esquadrão

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Quando o Brado é ouvido!

Não é fácil lutar…
contra as trombetas
daqueles que torcem contra!

Não é fácil lutar…
com o adversário,
o estádio e até o árbitro!

Não é fácil lutar…
com pênalti mal marcado
e gol legal anulado!

Mas a luta não é opção!
É determinação do coração,
que enseja a reação!

Mas a gana não é virtude!
É premissa de quem honra
o manto sagrado que ostenta!

Então, aprendam os detratores,
que, até soar o apito final,
o combate ainda é frontal,

o intento se persegue,
o objetivo não se esquece,
a esperança prevalece:

Aprendam que não se canta vitória
antes da derradeira hora,
como ensina a nossa história!

E, por isso tudo…

Sim, é fácil…
cantar até perder a voz
Brilhar com a força de mil sóis!

Sim, é fácil…
sorrir por, da degola, escapar
chorar para nunca mais voltar

Sim, é fácil…
emocionar com o triunfo de garra
aplaudir quem vence na marra!

Só uma coisa
realmente não é fácil…
é deixar de acreditar…
é deixar de vibrar…
é deixar de te amar…
pois isso nunca acontecerá…

Dublin, madrugada de 18 de setembro de 2014, ao saber do triunfo do Baêa, dedicado a todos para quem lutam até o final, em especial Máxi e Branquinho…

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Rompendo o silêncio

E dou-lhe uma!
É preciso resistir!
E saber que,
por mais que as nuvens
cubram o horizonte,
as estrelas continuam lá!

E dou-lhe duas!
É preciso repetir!
E mostrar que
um raio pode acertar
o mesmo alvo
seguidamente!

E dou-lhe três!
É preciso insistir!
E romper qualquer barreira
que os amantes do atraso
tenham tentado impor
como uma maldição.

E dou-lhe uma…
duas… três…
E que o triunfo inspire
para que o vencedor respire
e retome o caminho de glória,
em que se construiu a sua história.

No aeroporto de Guarulhos, 14 de setembro de 2014, para K9 e Maxi.