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O lance

Jogada do gol histórico começou nos pés de um goleiro.

06 ago 2004 | 17H50

Darino Sena

Quarenta e cinco minutos do segundo tempo. Os tricolores sintonizados na Rádio Sociedade da Bahia ouviam o tradicional som, repetido três vezes, que indica o fim do tempo regulamentar e se desesperam com o 1 a 0 para o adversário.

Comentaristas, locutores e repórteres começam a eleger o destaque do jogo. Todos escolhem os seus preferidos até que chega a vez do experiente comentarista Armando Oliveira, “o número 1 do Brasil”. “Macaco velho”, ele se exime de opinar e, em tom profético, diz:

“Vai que alguém faz o gol e muda a estória do jogo? Só escolho o meu destaque quando o juiz apitar”.

Os companheiros concordam, meio incrédulos de que o panorama pudesse mesmo mudar. Mas, respeitosos em relação à posição do “mestre”, não o contestam. O “locutor show do Brasil”, Sílvio Mendes, até entra na onda e resolve esperar. O jogo segue.

A bola sobra para o goleiro Jean na intermediária defensiva. Ele chuta para frente. O zagueiro tricolor “Advaldo NBA” disputa pelo alto, leva a melhor, a bola vai para frente e quica. Ela sobra para Souza. O volante dá outro toque de cabeça e acha Raudinei na área. O atacante emenda de primeira, com a perna esquerda, e a bola passa por baixo do corpo do goleiro Roger, estufando as redes.

A festa rubro-negra antecipada pára. Cabisbaixos e incrédulos, eles ficam atônitos. Já os torcedores tricolores que iam embora voltam, se abraçam, choram. Deliram! É o gol de empate. Do título. Do Bi! Depois da volta olímpica, a torcida do Bahia deixa o estádio cantando – “Bem que eu avisei, o Vitória se f… com um gol de Raudinei”.

“Eu me lembro que o Souza tocou a bola para mim entre dois zagueiros e eu tive a intenção de dar um toquinho para dominar antes de chutar, mas a bola caiu na minha perna boa, a esquerda, e eu bati de primeira. É o tipo de bola que o goleiro só pega se for em cima dele, não tem defesa”, disse Raudinei, que hoje vive em São Paulo, onde atua como empresário de jogadores.

Ao final do jogo, o feito do atacante facilitou a escolha de Armando Oliveira e Sílvio Mendes, além de fazer o comentarista ser “endeuzado” pelos companheiros.