Notícias

O craque Evaristo

Com a bola nos pés, Evaristo foi um dos maiores monstros sagrados do futebol mundial, ídolo do Barcelona, do Real Madri e da Seleção Brasileira.

28 abr 2003 | 16H25

“Ele era um jogador de qualidade diferenciada. Com uma condição atlética notável, Evaristo se caracterizava, por sua refinada técnica, como um típico representante da escola brasileira de futebol e, além do mais, era frio e calculista. Destacava-se por ter um chute fortíssimo, pelas cabeçadas certeiras, pela alta velocidade, e por um drible mortal que rompia as cinturas dos defensores adversários. Seu instinto goleador era letal. Evaristo tinha ótimos reflexos e adorava iniciar o jogo ofensivo com arrancadas do meio de campo”.

O trecho acima, extraído da seção do Site Oficial do Barcelona dedicada a Evaristo de Macedo, além de ser uma análise do craque, serve para dar uma noção da admiração que os espanhóis têm por quem eles consideram um dos maiores jogadores estrangeiros que já atuou por lá. Afinal de contas, não é qualquer um consegue ser ídolo e marcar época nos dois maiores clubes da Espanha – Barcelona e Real Madrid.

Evaristo de Macedo Filho nasceu no Bairro do Engenho Novo, no Rio de Janeiro, em 22 de junho de 1933. Oriundo da classe média carioca, Evaristo seguiu todo o caminho escolar normal que se espera de um jovem de posses, estudando, inclusive, no famoso Instituto Grambery de Juiz de Fora. Preferiu ficar no futebol, apesar do curso de Medicina em que se iniciava. Para fechar o ciclo classe-média-típica, terminou o CPOR, tornando-se oficial da reserva do Exécito Brasileiro.

A carreira de Evaristo como jogador de futebol começou nas categorias inferiores do Madudeira/RJ, onde brilhou tanto como atacante, que foi convocado para defender a Seleção Brasileira que ficou com a 5a posição nas Olimpíadas de 1952, em Helsinque, na Finlândia.

Em 1953, o futebol do jovem Evaristo chamou a atenção do Flamengo, que o contratou, porém, sem adquirir seu passe – o que foi uma condição imposta pelo pai de Evaristo para que ele jogasse no clube da Gávea. Evaristo permaneceu com o passe livre até o final de sua carreira. No rubro-negro, jogando ao lado de Zagallo, Evaristo conquistou o primeiro tri-campeonato estadual da história do clube – 1953/54/55.

O sucesso no Flamengo fez com que Evaristo fosse nome freqüente nas convocações para a Seleção Brasileira. Em 1957, com a camisa amarelinha, Evaristo foi o grande destaque do Campeonato Sul-Americano disputado no Peru. Na partida em que o Brasil goleou a Colômbia por 9×0, no Estádio Nacional, em Lima, no dia 23 de março, Evaristo fez cinco gols – o maior número de gols de um jogador em uma única partida pela Seleção. Um recorde que até hoje persiste.

Um mês depois, também em Lima, quando disputava as Eliminatórias para a Copa de 1958, Evaristo foi procurado pelo diretor do poderoso Barcelona, Josep Samitier, que havia visto suas impressionantes atuações no Sul-Americano e lhe propôs um contrato com o clube catalão.

Depois de ajudar a Seleção a garantir a classificação para aquela que seria a primeira das quatro copas conquistadas pelo Brasil, Evaristo seguiu para a Espanha. O único ponto negativo da transferência para o “Barça” foi o fato da mesma impedir que Evaristo, um dos melhores jogadores brasileiros na época, titular absoluto da Seleção, fosse ao Mundial da Suécia.

O supervisor da CBD (Confederação Brasileira de Desportos), Carlos Nascimento, chegou a ir à Espanha para buscar o craque. Mas, como o Barcelona só aceitava liberar sua estrela após o Campeonato Espanhol, que terminava dias antes da Copa, e a Seleção precisava de Evaristo bem antes, o craque acabou desfalcando o Brasil.

Mas a ida para o Barcelona valeu a pena. Evaristo estreou no Barça em 5 de maio de 1957, numa partida amistosa contra o Saarbrücken, que foi goleado por 4×1. “Evaristo impressionou a todo o mundo com sua técnica e marcou um golaço de cabeça” – Site Oficial do Barcelona.

Foi o início de uma gloriosa trajetória. No Barcelona, juntamente com os consagrados húngaros Kocsis, Czibor e Kubala e o espanhol Luizito Suarez, Evaristo formou uma das linhas de ataque mais temidas de todos os tempos no futebol europeu. Em seis temporadas no clube, Evaristo foi bi-campeão espanhol (1959/60) e bi da Copa da Uefa (1958/60). No total, disputou 219 jogos e marcou 173 gols – uma invejável média de 0,8 gols por partida. Além disso, foi o artilheiro do time nas temporadas 58-59 e 60-61.

O tamanho sucesso de Evaristo no Barcelona acabou despertando o interesse do arqui-rival, o Real Madri, cansado de sofrer com os gols do artilheiro. Depois de recusar uma proposta do Barça para se naturalizar espanhol, Evaristo acabou indo para a equipe de Madri, em 1962, o que só aconteceu a nove jogadores na história dos dois maiores clubes do futebol espanhol.

Logo na estréia pelo Real, a glória – Evaristo marcou três gols em cima de seu ex-clube, agora grande rival, o Barcelona. Evaristo passou três temporadas no Real. Tempo suficiente para conquistar o tri-campeonato nacional (1963/64/65) e virar ídolo. Após a grande passagem pelo time da capital espanhola, com 33 anos, Evaristo voltou ao Brasil, para encerrar a carreira no Flamengo, em 1965.

Clubes

Madureira (50-52); Flamengo (52-57 e 65); Barcelona (57-62); Real Madrid (63-1965).

Títulos

Campeonatos Cariocas de 53, 54 e 55 (Flamengo); Campeonato Espanhol de 59 e 60 (Barcelona); Copas da Uefa de 58, 59 e 60(Barcelona); Campeonato Espanhol de 63, 64 e 65 (Real Madrid).