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“O Bahia perdeu Cebola”

Confira editorial desta sexta-feira do jornal Tribuna da Bahia sobre a morte do radialista Osvaldo Jr.

08 dez 2005 | 11H38

A morte traz com ela o poder da compaixão, do perdão. Depois de morto, todo mundo é bom. O radialista e tricolor, torcedor do Bahia, Osvaldo Pinto de Carvalho Júnior, meu amigo “Cebola”, não precisa da morte. Cebola não era bom, muito menos mal. Osvaldo Júnior era autêntico, irreverente. Amigo dos amigos, algoz dos inimigos.

Cebola morreu da mesma forma com que viveu. Do seu jeito simples de ser, mas cheio de vontades, de sonhos, de aventuras e ideais, que o mantiveram vivo, pelo menos entre nós, desde que identificaram o câncer de estômago que ele não conseguiu vencer.

Pior que a própria morte é o tempo, que nos envelhece, levando-nos de encontro a ela, e depois, com o passar do tempo, nos faz esquecer a própria morte. Hoje choro, lamento, reflito e me despeço do meu amigo Cebola, de início de carreira, dos anos 70, junto com outros grandes e inesquecíveis amigos, jornalista, radialistas, que partiram muito antes, como Sergio Boto, Juarez Oliveira, Osvaldo Barreto, do tempo em que a nossa profissão era lúdica, e o futebol, o esporte, era uma grande festa do futebol baiano.

Cebola não morreu. Venceu, cumpriu sua missão, descansou. A dor é muito maior para os que ficam privados da sua irreverência, da sua paixão, da sua autêntica e inalienável amizade, do seu companheirismo, sua mulher, filhos, netos e amigos.

Osvaldo Júnior venceu, e o Bahia perdeu. Acredito até que Deus, na sua infinita grandeza, poupou Cebola da humilhação de ver seu “Bahêa”, a grande paixão da sua vida, disputar a 3ª Divisão do Campeonato Brasileiro. Por ele, o tricolor, deu a vida, a própria profissão, prejudicada em muitos dos seus momentos de radialista, pelo amor extremo ao clube que escolheu para amar, sem ser compreendido, perdoado, ou entendido pelos próprios tricolores, perdendo empregos, respondendo a processos, mas sem nunca deixar de ser fiel, de usar, tirar um único centavo, em proveito próprio do seu querido Bahia.

Cebola é o exemplo vivo de que o esporte faz amigos, e o futebol faz inimigos. Mas gosto de quebrar “regras”, e continuarei seu amigo, aqui na terra, ou na outra dimensão, onde ele estiver.

Um grande abraço meu amigo, vai em paz, vai com Deus;

Luiz Alberto Britto
Editor de Esportes da
Tribuna da Bahia