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Léo Briglia voltou ao estádio para assistir um jogo do Bahia

O artilheiro do campeonato Brasileiro de 1959

01 fev 2011 | 12H24

No último domingo, um dos campeões brasileiros de 1959, o atacante Léo Briglia esteve no Estádio de Pituaçu, voltando à uma praça esportiva depois de muito tempo, para assistir a um jogo do Esquadrão de Aço.

Léo marcou gols em todas as partidas da Taça Brasil de 59, marcando 08 gols e foi um dos principais responsáveis pela conquista histórica do Esquadrão de Aço.

Conheça um pouco mais sobre a história deste ídolo tricolor:

O itabunense Léo Briglia, irreverente, boêmio e, acima de tudo, o craque que ganhou as páginas dos principais jornais e revistas do país, chegou a ser convocado para a Seleção. Mas problemas físicos o impediram e ele foi substituído pela maior estrela do futebol brasileiro, o rei Pelé.

O Começo

Léo foi “descoberto” quando atuava pela (Fube) – Federação Universitária Baiana de Esportes numa preliminar de Bahia e América em Salvador. Suas jogadas despertaram a atenção do técnico Grita, um Uruguaio, que o convidou para jogar no Rio. Sabendo que o pai não concordaria, ele saiu de casa às escondidas. “Minha família soube pelos jornais e revistas, quando eu já estava jogando no América”, conta.

No Rio, os treinos eram realizados no campo do Vasco. Ao observar a atuação do jogador, o técnico do Vasco, Flávio Costa, o convidou para o clube, só que, àquela altura, ele já havia assinado contrato com o América. Mas havia um problema: o pai de Léo teria que assinar o contrato. Prevendo a resistência, foi enviado um diretor importante politicamente, o Ministro do Trabalho, que foi a Salvador, onde a família tinha residência para os filhos estudarem.

Volta ao futebol baiano

Quando o futebol itabunense entrou em declínio, em 1953, ele foi para o Colo-Colo de Ilhéus. O “Tigre” foi campeão em 1953 e 1954 e Leo o artilheiro absoluto. Depois do Colo Colo, conseguiu um emprego de auditor fiscal em Salvador, através do Governador Juracy Magalhães, seu padrinho.

“Quase” campeão mundial

Em 1958, Leo Briglia foi convocado para a seleção brasileira, pelo técnico Flávio Costa. Mas foi cortado dezoito horas antes do embarque para a Suécia, porque seu ex-treinador do Fluminense havia declarado a um importante jornal da época, que o joelho do atleta estava lesado. Por isso, ficou definitivamente fora da Seleção. Foi substituído por Didi, o famoso “Folha Seca”.

Sobre o corte na Seleção, Léo fala conformado que futebol tem dessas coisas e afirma que neste incidente houve um aspecto positivo, que foi a oportunidade dada àquele que se tornou a maior estrela do futebol brasileiro. “Se eu fosse para a Suécia, o Pelé não iria brilhar porque não teria a oportunidade de jogar, pois a posição era minha e não lha daria esta chance. Mas era pra ser Pelé e assim foi”, diz Léo Briglia.

“Contrate Léo que eu lhe dou a Taça Brasil de presente” insistiu Geninho sobre a contratação de Léo para o Bahia

O Bahia foi para a final da Taça Brasil, numa melhor de três, contra o Santos. A primeira,em plena Vila Belmiro ,o Bahia surpreendeu o Santos ao vencer por 3×2. No segundo confronto na Fonte Nova perdeu por 2×0. Mas venceu a partida decisiva em campo neutro, e sagrou-se o primeiro campeão da Taça Brasil, derrotando o time de Pelé por 3×1 na final no Maracanã. Leó, que havia marcado gols em todas as partidas, fez um golaço na decisiva e consagrou-se artilheiro do campeonato. No final do jogo, Osório Vilas-Boas foi parabenizá-lo, mas não conseguiu pronunciar nem uma palavra. As lágrimas falaram por ele.

Mas Leo, além de ser o primeiro artilheiro do Brasil, teve vários outros títulos conquistados. Entrou e colocou a Bahia numa das páginas de maior destaque do nosso futebol. Auditor Fiscal aposentado, pai de 16 filhos, resultado de 14 casamentos, Leo atualmente mora na Ponta da Tulha, em Ilhéus, onde ainda aprecia a boemia e recorda com felicidade a duradoura fase áurea da sua carreira.