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Ídolo no comando

Campeão e artilheiro do Campeonato Brasileiro pelo Bahia, Charles assume interinamente o comando do Tricolor.

09 fev 2006 | 11H40

Darino Sena

O novo técnico do Bahia, ao menos interinamente, é um bom e velho conhecido da torcida Tricolor. Charles Fabian tem a carreira intimamente ligada ao Esquadrão de Aço e é um dos maiores ídolos da história do clube.

Atingiu tal status graças aos gols marcados aos montes e aos títulos envergando a camisa azul, vermelha e branca. A melhor fase, como jogador do Bahia, foi no final da década de 1980. Em 1988, foi titular e grande revelação na conquista do Campeonato Brasileiro daquele ano. Em 1990, tornou-se o único atacante tricolor, até hoje, a ser artilheiro do Nacional.

Charles começou a carreira como treinador no Bahia, em 2000. Assumiu a equipe infantil. Desde então, não parou de ser promovido. Dirigiu as equipes juvenil e júnior antes de chegar ao cargo de auxiliar técnico dos profissionais, ano passado.

Como treinador do juvenil, Charles quebrou um jejum de 10 anos ao ser Campeão Estadual da categoria, em 2003. Ano passado, a frente dos juniores, foi Tricampeão Baiano. Foram as principais conquistas dele na base.

Agora, dirige pela primeira vez o time principal. “Era o meu objetivo desde que me tornei treinador, mas confesso que não gostaria de entrar nessas condições. Porém, considero-me preparado. Estou aqui para ajudar o Bahia e servir ao clube sempre que for necessário”, disse Charles.

Como jogador

Charles começou a despontar em 1984, ainda nos juvenis do Bahia. Os gols o levaram aos profissionais com apenas 18 anos. O primeiro grande momento veio em 1988, quando fez o gol da vitória sobre o Corinthians, aos 45 do 2º tempo, no Brasileirão.

Foi um dos heróis da conquista daquele Nacional, com gols decisivos, como nas quartas-de-final, contra o Sport e na goleada sobre o Grêmio. Virou xodó da galera, que passou a chamá-lo de Charles, o “Anjo 45”. A inspiração foi uma música de Jorge Ben, sucesso na época.

A relação da torcida tricolor com Charles era tão intensa que ela chegou ao ponto de hostilizar a própria Seleção Brasileira por causa do ídolo.

Charles tinha ficado fora da lista para a Copa América de 1989, cuja fase de classificação foi disputada em Salvador. O torcedor do Bahia protestou com vaias ao time do técnico Sebastião Lazaroni na Fonte Nova e até passeata nas ruas da capital.

A pressão foi tão grande que Lazaroni não teve outra saída. Rendeu-se aos apelos populares e Charles foi convocado. O Brasil embalou e acabou campeão.

O “Anjo 45” agradeceu o apoio em 1990, quando tornou-se o único artilheiro do Campeonato Brasileiro com a camisa tricolor. O Bahia foi terceiro na competição

O atacante jogava tanto que teve o passe comprado por ninguém menos que Diego Armando Maradona. O ídolo argentino queria ver o craque no Boca Jr., seu time de coração.

Charles defendeu ainda Cruzeiro, Flamengo, Grêmio e Bahia, novamente, em 1996, antes de pendurar as chuteiras.

CHARLES
Nome: Charles Fabian Figueredo Santos
Nascimento: 12/04/1968
Posição: Atacante
Naturalidade: Itapetinga/BA
Outros clubes: Bahia, Cruzeiro/MG, Flamengo/RJ, Grêmio/RS e Boca Jr./ARG.