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Hóspede do barulho

Bahia vence terceira partida consecutiva no interior e se classifica para finais do Estadual 2004. Márcio brilha – pega pênalti e cobra 1ª falta.

29 fev 2004 | 17H18

Por Darino Sena

Bahia vence 3ª consecutiva como visitante no interior e se classifica no Estadual 2004. Márcio brilha – pega pênalti e cobra 1ª falta.

As visitas do Bahia ao interior do Estado têm sido realmente desagradáveis neste Campeonato Baiano. O Tricolor comprovou a fama de “hóspede do barulho” neste domingo, quando venceu o Atlético por 1 a 0, em Alagoinhas, e manteve o 100% de aproveitamento atuando fora de casa em cidades interioranas pelo Estadual 2004. O “carcarᔠfoi a terceira vítima consecutiva e se juntou a Camaçari e Catuense.

O triunfo deste domingo levou o Bahia à classificação para as quartas-de-final do Baianão 2004. No próximo domingo o Tricolor encerra sua participação da primeira fase, contra a Catuense, na Fonte Nova.

A partida deste domingo foi quase um solo do goleiro Márcio, que só não fez marcar gol (por pouco!). No segundo tempo, o arqueiro bateu uma falta com perfeição e exigiu grande defesa do colega Marco Aurélio. Ele agora é um dos cobradores oficiais da equipe – esta foi a primeira vez na história que um goleiro do Bahia cobrou falta numa partida oficial.

Mas o grande momento de Márcio aconteceu antes, aos 10 minutos do segundo tempo, quando Gil cobrou uma penalidade cometida por Henrique em Jânio. O arqueiro tricolor acertou o canto e garantiu o placar de 1 a 0, aberto por Leonardo, de cabeça, aos 31 minutos – o primeiro gol dele com a camisa do clube.

Leonardo só não vai poder repetir a dose contra a Catuense porque foi expulso, nos acréscimos, após cometer falta dura num adversário.

Além de Leonardo, que estreou como goleador, o jogo também serviu como primeira vez para Marcão e Alberoni, que entraram na etapa final e fizeram suas participações iniciais pelo clube – foram bem.

1 a 0

Até os 20 minutos a animada torcida de Alagoinhas, que compareceu em excelente número ao Antônio Carneiro, não teve com o que se empolgar. Coube a Jânio levantar os torcedores com o primeiro lance de emoção – uma bicicleta da entrada da área que passou por cima do gol de Márcio.

O Bahia respondeu aos 25 minutos. Danilo fez grande jogada, passou por dois, entrou na área e tocou para o meio. Valdomiro Costa chutou de primeira, mas Marco Aurélio fez milagre e evitou o tento.

Aos 29 minutos, o técnico do Atlético, Carlos Queiróz, foi expulso por reclamar da arbitragem. Queiroz foi o preparador físico do Bahia na conquista do Brasileirão de 1988.

O Tricolor, que nada tinha a ver com a expulsão, se aproveitou do baque emocional no Atlético para abrir o placar, aos 31 minutos. Elias cobrou escanteio, Leonardo apareceu no primeiro pau e desviou de cabeça para o fundo das redes.

São Márcio Chilavert

No segundo tempo, o Atlético voltou melhor, pressionando o Bahia, com o auxílio da empolgada torcida. Aos nove minutos, Henrrique fez pênalti em Jânio. Gil cobrou, mas Márcio defendeu, espetacularmente.

Desesperado com a situação do seu time, que dava adeus ao Estadual com a derrota, um torcedor do Atlético invadiu o campo para protestar. Ele conseguiu falar com o atacante Naldinho, ex-ídolo do Bahia, e com o árbitro, antes de ser retirado pelo policiamento.

Aos 19, quem impediu o empate tentou ampliar a vitória. O salvador Márcio cobrou falta com perfeição e colocou a bola no cantinho. Marco Aurélio se esticou todo e conseguiu evitar o golaço do arqueiro tricolor.

Depois de controlar o ímpeto ofensivo do Atlético, o Bahia mandou no jogo. Com a entrada de Marcão no lugar de Valdomiro Costa, a equipe ganhou mais força e uma referência na área adversária. O jogador mostrou disposição, raça e muita força física.

Quem também aumentou o poder de fogo do Esquadrão foi o jovem meia Ernane. Com arrancadas fulminantes, a revelação levantou a torcida, como aos 29 minutos, quando ele passou por dois, entrou na área, mas chutou para fora.

Aos 39, as coisas ficaram menos complicadas para o Tricolor, com a expulsão de Gil. Com mais espaço, o time do técnico Vadão quase marcou o terceiro.

Aos 41, Alberoni cruzou na cabeça de Henrique, mas ele desviou para fora. Aos 42, Elivélton entortou o marcador, driblando o mesmo adversário três vezes seguidas. Porém, quando ia chutar para o gol, foi desarmado – o último e belo lance do Bahia no jogo.