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Fala, torcedor!

Texto de Júlia Matos inaugura nova seção do site

16 mar 2018 | 23H17

O clube do povo, democrático e inovador abre mais um canal de interação com a torcida e, a partir de agora, também publicará textos enviados para o e-mail promocao@esporteclubebahia.com.br.

Neste Mês da Mulher, estreamos com a sócia Júlia Matos. Confira:

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COMO UMA MULHER NÃO AMARIA O ESPORTE CLUBE BAHIA?

Dizem por aí que as meninas devem brincar de boneca, sair com as amigas, passear nos shoppings, vestir vestidos floridos, não devem xingar porque é feio e devem assistir filmes românticos. Quando eu era pequena, nunca me presentearam com uma bola de futebol e também não me deram um vestidinho do Bahia, até porque naquela época não era comercializado, mas fizeram melhor, me levaram para a Fonte Nova.

Sempre gostei de vestidos floridos, mas no meu guarda-roupa eles dividem espaço com o manto sagrado tricolor. Adoro um bom passeio em shoppings, mas nunca abri mão da minha Fonte Nova. Sempre gostei de um bom filme romântico, mas nenhum me emociona mais do que assistir aos jogos do meu BAHÊA. Sair com as amigas é sempre maravilhoso, mas nem me chamem nos horários dos jogos ou naquele dia em que o Bahia não consegue o triunfo, elas já sabem, NÃO ROLA! Quanto a xingar….. Vamos pular esta parte? O palavrão se torna algo inevitável quando se trata de assistir aos jogos do Bahia, dentro da Fonte Nova ou não, ele salta da boca, não tem como controlar, e ai de quem tentar me controlar, hein?!

Percebo que as mulheres estão se valorizando e, aos pouco, vem sendo mais valorizadas em todos os ambientes, mas, gostaria de me ater ao mundo do futebol que, não é apenas masculino, é um mundo para todos. As coisas têm que evoluir e se adequar à nova realidade da sociedade. Está cada vez mais difícil discernir o que é um “mundo feminino” e o que é um “mundo masculino”, o mundo é para todos e de todos, basta querer, chega de rótulos, chegou a hora de abrir espaços e receber o que antes era incomum, de maneira comum, afinal de contas, todos têm algo a acrescentar e juntos seremos sempre mais fortes.

Não sou a única mulher torcedora do Bahia, não mesmo, sou uma entre milhares! Na Fonte Nova, hoje em dia, nós estamos cada vez mais presentes comemorando, nos emocionando, cantando, vibrando, gritando, xingando, discutindo e opinando, sobre o clube que amamos, nas rodas de conversa e nos debates da torcida. Estamos cada dia mais entendidas do assunto e sendo cada vez mais ouvidas e respeitadas, porque as mulheres sempre executam com maestria tudo aquilo que se propõem e os homens sabem disso, pelo menos os tricolores. Que orgulho da minha galera!

Nasci quando o Bahia era o atual campeão brasileiro, no ano de 1989, comemorei o título na barriga da minha mãe, tenho certeza de que revirei bastante lá dentro, naquele 19/02/1989. Cresci ouvindo o hino de clube de futebol mais lindo que existe; o BBMP em cada esquina de Salvador; acompanhando meus pais e meu irmão torcerem e vibrarem com cada jogo, cada gol e cada título do Bahia; vendo a nação tricolor, que não pode ser chamada apenas de torcida, lotar e fazer festas inacreditáveis na nossa Fonte Nova antiga. Como não seria apaixonada por futebol? Aliás, como não transbordaria de AMOR pelo Esporte Clube Bahia? Definitivamente, torcer para o Bahia não está apenas no sangue de todo tricolor, é também e, principalmente, algo contagiante, que transcende os limites genéticos e sanguíneos, é algo que vem da alma, não está apenas na nossa pele, é inexplicável e maravilhoso ao mesmo tempo, só quem é sabe a dor a e a delícia de ser Esporte Clube Bahia.

Quem nunca foi chamado de “Bahêa!” nas ruas, nos bares, no prédio, no colégio ou na faculdade, em Salvador? Eu já fui inúmeras vezes. Aqui é menos arriscado chamar alguém de “Bahêa!”, do que tentar acertar seu nome, todos acabam respondendo, ou ao menos olhando, até os rivais respondem, eles sabem que não tem o que ser feito quanto à sua inferioridade. Esta é a regra e, neste caso, não há exceção, o Bahia domina.

Como é bom ser Bahia, torcer pelo maior clube do eixo Norte-Nordeste do Brasil; ter a história e sua grandiosidade reconhecidas por todos, sem questionamentos; ser um dos clubes de futebol mais carismáticos e queridos; ser o primeiro campeão brasileiro; ter conquistado o título nacional em cima do Santos do ‘Rei Pelé’; ter uma das torcidas mais fiéis e apaixonadas do país; fazer as maiores e mais lindas festas no estádio sempre lotado ou mais que lotado e simplesmente ter as cores azul vermelha e branca, existe combinação mais perfeita que esta? Se existir eu desconheço.

Entretanto, nem tudo são flores, principalmente em se tratando de Bahia. Já vivemos muitos momentos difíceis também, chegamos ao fundo do poço, mas nunca abandonamos o nosso Bahia, pelo contrário, apoiamos ao ponto de ter o recorde de público entre as séries A,B e C, do Campeonato Brasileiro, mesmo jogando a série C.

Mas se engana quem pensa que não haveria mais provas de amor, a nação tricolor sempre se supera e surpreende à todos e, como não poderia deixar de ser, a nossa força foi além, conseguimos vencer fora de campo também e conquistamos um dos maiores triunfos da nossa história, porque o bem sempre vence e a verdade sempre vem à tona. Conseguimos, mais uma vez, juntos, expulsar aqueles que só faziam e queriam o mal do Esporte Clube Bahia, demos a volta por cima, nos tornamos, mais uma vez, exemplo para o país, e hoje voltamos a ser respeitados por todos, estamos reconstruindo a história do Maior do Nordeste e ainda vamos alçar voos maiores, porque “SOMOS A VOZ DO CAMPEÃO, SOMOS DO POVO UM CLAMOR, NINGUÉM NOS VENCE EM VIBRAÇÃO, VAMOS AVANTE, ESQUADRÃO, VAMOS SERÁS O VENCEDOR…”, está escrito e quem nasceu para vencer, jamais fugirá da luta, este é só o início do recomeço.

E aí, como não ser apaixonada pelo Esporte Clube Bahia?

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> Júlia Santana de Matos tem 28 anos, é soteropolitana e torcedora do Bahia. O craque Bobô foi o melhor jogador que viu jogar com a camisa do clube. E o gol de Sérgio Alves no Bahia x Fortaleza pela Copa do Nordeste de 2002, um dos mais bonitos de todos os tempos.

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