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Confira o texto enviado por Antônio Garrido à Nação Tricolor

02 ago 2007 | 11H50

O vice-presidente do conselho deliberativo do Bahia, Sr. Antônio Jorge Moreira Garrido, torcedor e conselheiro dos mais ilustres, redigiu um texto à Nação Tricolor, onde declara seu amor ao clube e emite opiniões do interesse geral da torcida do Bahia.

A direção do clube exalta e reconhece a forma sensata da análise feita por Antônio Garrido e publica este texto no site oficial, para que o torcedor também tenha a oportunidade de compartilhar das idéias do benemérito conselheiro.

Segue texto abaixo:

Raramente eu me dirijo à Torcida do Bahia, apesar de tê-la no maior respeito e por ela ter sido, sempre, respeitado, também.

Com ela pude desfrutar de inúmeras alegrias quando fui Vice-Presidente das Divisões de Base, nos anos de 93 a 95, período em que sagramo-nos, juntos, Octa e Ênea-Campeões de Juniores do Bahia e quando, fruto do nosso trabalho, revelamos para o nosso clube, jogadores como Jorge Wagner, Ueslei, Robson Luis,o finado Clebson, Reinaldo Aleluia, na época chamado de Neinha,Emerson- nosso zagueiro até hoje,e outros nomes que andam espalhados pelo Brasil e no exterior, alguns já deixando o futebol, pelo peso da idade.

Diversas vezes fiz promessa à nossa torcida, e com as graças de Deus, sempre as cumpri, estando, até hoje, invicto em jogos na Fonte Nova, mesmo tendo ocupado o cargo de Diretor de Futebol profissional, chamado que fui pelo Presidente Petrônio Barradas, no ano de 2005, cargo que só aceitei por amor à nossa torcida, que sofre e paga um valor que, às vezes, não pode, somente para ir ver o nosso Bahia jogar, mesmo quando a campanha não é boa.

Mas, mesmo sendo, também, um torcedor de arquibancada, mesmo tendo todo esse amor, já comprovado, pela torcida do Bahia, tenho que reconhecer que às vezes erramos. E erramos todos, juntos.

Quantas vezes não já vaiamos, prejudicando o nosso clube, digo assim porque faço parte dessa torcida, embora eu, particularmente, nunca tenha vaiado meu time, nem nenhum jogador do Bahia, pois entendo que eles estão vestindo a sagrada camisa tricolor e esta, por ser sagrada, não pode ser maculada.

Entendo que a vaia deve e pode ser executada depois do jogo, ou até mesmo no intervalo da partida.

Mas não censuro quem o faz! Temos, porém, que reconhecer que já perdemos muitos jogadores bons, devido à nossa falta de paciência, e nossa dificuldade de perdoar quem não joga bem uma partida, ou quem executa um pequeno lance, sem sucesso.

E recebe uma sonora vaia. Aquele atleta jamais vai acertar. Jajá – grande promessa – cometeu o pecado de tentar um gol de paulista. Errou. Não pôde mais jogar. Robgol, Dimba, e tantos outros nós perdemos.

Mas, por outro lado, compreendo que a nossa torcida – na qual sempre me incluo – tem suas razões e, muitas vezes, o jogador faz corpo mole, ou está com o salário em atraso e, por isso, não se esforça em campo e isto nós não podemos e não devemos perdoar.

Mas, às vezes, não é bem assim que acontece. Erramos, também, quando invadimos o campo do Estádio da Fonte Nova, no jogo contra o Ipatinga, agredindo jogadores, e até aos próprios torcedores que estavam no gramado, atirando pedras a esmo e provocando, com isso, penalidades terríveis ao nosso clube que sofreu um desgaste nacional do seu nome, além de enormes prejuízos financeiros.

E o que ganhamos com isso? Nada! Somente perdemos! Por isso lembro uma máxima que sempre sigo: “NUNCA PUNA ALGUÉM QUANDO O MAIOR PUNIDO FOR VOCÊ!”

E agora, estamos novamente prestes a cometer semelhante erro. Refiro-me a Nonato. É um dos melhores centroavantes do Brasil disparado. O Bahia, se perdê-lo, não vai conseguir substituí-lo facilmente. Podemos, até, não alcançar a sonhada série “B”, por falta de gols, se perdê-lo. Quem será o maior punido? Nós, torcedores do Bahia.

O acontecido no jogo com o América pode ter sido provocado por torcedores do América vestidos com a camisa do Bahia. Ou do Confiança. A reação dele, um jogador em pleno jogo, com a cabeça quente, que ama o clube de cuja camisa já disse ser a sua “segunda pele”, apupado e execrado por pessoas que se diziam torcedores do Bahia, foi normal.

Ele reagiu porque não via ali a representação da torcida do Bahia. De qualquer forma, ele errou. Mas, já pediu desculpas. Já meteu três gols no último domingo, no adversário. E é com ele que vamos subir à série “B”. Porque puni-lo, se nós seremos os maiores punidos nesse caso? VAMOS PERDOÁ-LO! E ele saberá recompensar-nos.
Antonio Jorge Moreira Garrido, Salvador-BA.