Notícias

Chegou a hora

Museu do Bahia será inaugurado

08 jun 2022 | 18H24

Pela primeira vez em 91 anos de história o Bahia terá um museu oficial.

Neste sábado (11), em solenidade para imprensa e convidados e transmissão ao vivo pelo YouTube, será inaugurado o Museu do Bahia na Fonte Nova. Dois dias depois, às 10h, haverá abertura da visitação pública ao espaço, localizado no nível 7 do estádio, com vista privilegiada para o Dique do Tororó, a Loja Esquadrão e a cidade de Salvador.

Sócios #JuntosVenceremos, aqueles que conseguiram continuar em dia com o Tricolor desde o início da pandemia, terão entrada gratuita nos primeiros meses conforme prometido na época do lançamento do pacote de benefícios, em junho de 2020.

Todos esses e outros detalhes sobre as visitas serão informados nos próximos dias.

Com curadoria de Daniel Rangel, mesmo curador do MAM (Museu de Arte Moderna), o Museu do Bahia tem como conceito evidenciar a forte ligação do clube com sua torcida e a cultura do Estado, transcendendo a mera exposição de objetos históricos, também com obras de diversos artistas baianos, numa linguagem atual e de interação com os visitantes.

A Nação Tricolor participou da produção do espaço por meio de dois crowdfundings, financiando de maneira coletiva a restauração de parte dos troféus (arrecadação de R$ 47.506,00) e do início das obras (R$ 426.078,13). Com doações de valores que variaram entre R$ 20 e R$ 400, os torcedores tiveram recompensas como uma camisa especial de jogo com todos os nomes dos doadores da campanha, colocar seu nome num painel de estrelas e ainda ter sua própria foto numa instalação na primeira exposição de inauguração do local.

No total foram recuperados mais de 30 troféus, entre réplicas e restaurações. Com investimentos próprios e algumas doações, além da ajuda de colecionadores, o Bahia também construiu um grande acervo fotográfico e de vídeos, incluindo todo material bruto do celebrado documentário ‘Bahêa Minha Vida’.

MEMÓRIA DE AÇO

O museu faz parte do projeto Memória de Aço, iniciado em janeiro de 2018, fruto de um desejo de longa data de muitos torcedores e promessa de campanha do presidente Guilherme Bellintani.

A construção e a preservação da memória do Bahia infelizmente não receberam o devido zelo ao longo da história azul, vermelha e branca.

Faltava cuidado com importantes bens históricos, assim como jamais havia sido feito propriamente um acervo de objetos ou ainda um catálogo de informações sobre o Tricolor. Tudo o que havia sobre o Esquadrão em termos de memória era fruto do trabalho abnegado de torcedores, jornalistas, escritores e colecionadores externos ao clube.

Dessa maneira, o primeiro passo do Memória de Aço foi mapear objetos históricos dentro e fora do clube (camisas, troféus, medalhas, flâmulas, placas etc.), fontes de informação (livros, revistas, jornais etc.), contatos de ex-atletas e dirigentes ou de suas famílias.

O segundo passo foi mapear e documentar todos os jogos profissionais do clube desde sua fundação, em 1931. Não havia documentos internos do clube com esses confrontos. Assim, por meio de pesquisas na Biblioteca Pública do Estado e no Instituto Geográfico da Bahia (mais de 300 visitas em dois anos), o Memória de Aço catalogou – com imagens de reportagens de jornais, revistas e livros – as mais de 5.300 partidas da história do Esquadrão, fomentando um banco de dados com as fichas desses confrontos.

A pesquisa descobriu 227 jogos que estavam ‘apagados’ da história do Bahia. Das partidas já existentes em outras listas, houve ainda 52 placares modificados, 152 datas corrigidas e 33 locais de jogo alterados.

Como resultado desse trabalho, promovido pelos jornalistas Luiz Teles e Luís Felipe Brito, hoje o Tricolor tem dados estatísticos de todos os atletas e técnicos que passaram pela instituição, por exemplo, e permite que o departamento de comunicação utilize com precisão informações históricas, sempre baseado em material documentado.