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Beijoca: 50 anos de polêmica, magia e gols

Um dos maiores ídolos do Bahia em todos os tempos completa meio-século de vida. Parabéns artilheiro!

23 abr 2004 | 18H40

Um dos mais irreverentes, controversos, polêmicos e apaixonantes personagens da história do Esporte Clube Bahia completa nesta sexta-feira, 23 de abril, 50 anos. O nome dele? Jorge Augusto Ferreira de Aragão, imortalizado para sempre sob a alcunha de “Beijoca”.

Beijoca entrou para a história do Esquadrão de Aço principalmente pelos gols, 106 em seis anos de clube. Mas não só por causa deles. A polêmica marcou a vida do atacante. Dentro de campo, por causa das brigas com adversários, árbitros e pelo jeito aguerrido, que acabaram sendo fundamentais para a criação de uma empatia e identidade enormes com a Nação Tricolor.

Fora das quatro linhas, pelas farras. E não foram poucas. Boêmio, Beijoca não tinha jeito e nem juízo. Aprontava mesmo e, apesar das confusões e das puxadas de orelha, continuava aprontado. Afinal, nasceu para duas coisas – farrear e marcar gols.

Ao contrário dos jogadores ditos “barqueiros” de hoje em dia, Beijoca, apesar de adorar a vida noturna, dava conta do recado com a bola nos pés. São incontáveis as estórias de fuga da concentração, “resgate” em casa noturna por dirigentes, brigas…

Mas nada disso impedia que o craque entrasse em campo no dia seguinte e dignificasse a camisa azul, vermelho e branca que vestia com muita raça, orgulho e, principalmente, amor.

A idolatria da torcida ele retribuía com raça, sangue, suor, lágrimas e beijinhos nas comemorações dos tentos – daí o apelido, Beijoca.

Ele era um jogador que o povo tricolor amava. E isso fica nítido na música líder das paradas de sucesso da Fonte Nova à época do artilheiro – “Eu quero ver Beijoca jogando bola, eu quero ver Beijoca bola jogar”, era o grito uníssono da galera antes da bola rolar.

Após o jogo e as vitórias proporcionadas pelo “matador”, principalmente em Bavis, Beijoca literalmente “caía nos braços do povo” e comemorava os triunfos descendo a ladeira do Otávio Mangabeira abraçado aos torcedores.

A paixão da Nação Tricolor pelo craque se explica. Apesar de frios, os números, paradoxalmente, são decisivos para a compreensão do fenômeno “Beijoca do Bahia”. Foram sete anos de clube (69, 70, 75, 76, 77, 78 e 84), cinco títulos baianos (70, 75, 76, 77, 78) e 106 gols, o que fazem de Beijoca o 11º maior artilheiro do Bahia em todos os tempos.

“Ser Bahia, ter esse sentimento no peito, ouvir o coração pulsar e saber que aquilo acontece, em grande parte, por causa desse clube extraordinário, é algo indescritivelmente maravilhoso, divino. Tenho muito orgulho de ser, antes de tudo, torcedor tricolor”, disse o craque, que usou do prestígio para convocar a Nação Tricolor.

“Precisamos de todo o apoio dessa torcida fantástica para superar todas as adversidades de momento e voltarmos a ser grandes como estamos acostumados a ser. Neste Campeonato Brasileiro, tricolor que é tricolor de verdade não tem o direito de faltar a um jogo sequer da Fonte Nova. Juntos, voltaremos a ser Campeões.”

Beijoca hoje

Beijocão não é mais aquele, mas está muito feliz. Pois é. O farrista de antes, quem diria, virou pastor evangélico. “Encontrei a salvação através de Jesus Cristo, de Sua palavra e do seguimento daquilo que está na Bíblia Sagrada. Hoje sou um novo homem, mais maduro, consciente e próximo de Deus e da família”.

Mas não deixou de ser polêmico. Recentemente, declarou ao jornal “Lance” que foi mais jogador que Ronaldo, do Real Madrid. “Eu chutava com as duas pernas, era habilidoso, apesar de forte, e fatal nas finalizações, além de ser um exímio cabeceador. Fui, portanto, mais completo e melhor que ele.”

O ex-artilheiro agora é também treinador. Está comandando os profissionais do Camaçari, mas é funcionário das Divisões de Base do Bahia. Foi liberado pelo clube para atuar no time do Pólo.

Neste sábado, na Fonte Nova, o Bahia faz uma pequena homenagem a seu eterno ídolo, antes do jogo contra o São Raimundo. Compareça! Vamos cantar parabéns juntos e reverenciar um dos maiores ídolos da nossa trajetória de glórias.

Parabéns Beijoca. Obrigado por tudo!