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Bahia dá show, é aplaudido de pé, mas se despede da Copa do Brasil

Tricolor consegue virada histórica contra o Galo, vence por 4x3, mas, por causa de um gol, é eliminado.

18 abr 2002 | 00H30

O Bahia deu show, fez uma de suas melhores partidas na temporada, conseguiu uma virada histórica sobre o Atlético/MG e saiu de campo aplaudido de pé por mais de 42 mil torcedores. Mas a garra e a determinação dos jogadores não foram suficientes para a equipe conseguir a classificação para as semifinais da Copa do Brasil.

O Tricolor venceu o Galo por 4×3, depois de estar perdendo por 3×2. Porém, como havia sido derrotado pelos mineiros por 2×1, no jogo de ida, no Mineirão, e o regulamento da competição determina que o número de gols marcados na casa do adversário define a vaga em caso de empate no saldo de gols, o Bahia está eliminado.

Os gols da partida foram marcados por Sérgio Alves (2), Robgol e Marcelo Sousa, para o Bahia, Guilherme, Marques e Rubéns Júnior, para o Atlético/MG.

O jogo começou num ritmo elétrico, com três gols nos 10 minutos iniciais. Empurrado por mais de 50 mil torcedores, o Bahia partiu para cima e abriu o placar logo aos 4 minutos.

Robgol fez grande jogada pela direita, cruzou e a zaga mandou para escanteio. Preto partiu para a cobrança e colocou na cabeça de Marcelo Sousa, que subiu bonito para fazer seu primeiro gol com a camisa Tricolor.

Como o jogo de ida foi vencido pelo Atlético, por 2×1, no Mineirão, o resultado parcial dava ao Tricolor a classificação. Mas o Galo não se abateu com a pressão e a alegria da galera e foi em busca do empate, conseguindo-o rapidamente, quatro minutos depois.Marques recebeu bola na direita, se aproveitando do erro de marcação da zaga, e cruzou na medida para Guilherme deixar tudo igual na Fonte Nova.

O Tricolor não se deu por vencido e nem deu tempo para o adversário comemorar. Na saída de bola, Robgol foi acionado pela direita e cruzou com perfeição para Sérgio Alves, de cabeça, marcar seu segundo gol na Copa do Brasil 2002.

Depois do corre-corre inicial, as equipes diminuíram um pouco o ritmo, mas o jogo ficou longe de ser morno. Com maior volume de jogo, uma legião de fanáticos o apoiando, o Bahia não parou de pressionar os mineiros.

Contudo, aos 11 minutos, mais uma vez o lado esquerdo da defesa tricolor falhou. Marques recebeu livre na área e bateu cruzado. Emerson salvou de maneira espetacular.

Aos 20 minutos, o Bahia respondeu. Bebeto enfiou ótima bola para Robgol, sozinho na área. Ele bateu cruzado e mandou para fora.

Aos 25 minutos, Sérgio Alves levantou a bola para Nonato, na área. Ele tentou alcançar, de carrinho, mas não conseguiu.

Aos 40 minutos, Preto cruzou na medida para Nonato, que cabeceou com estilo, mas Milagre fez jus ao nome.

De tanto perder gols, o Tricolor acabou castigado, aos 41 minutos – Marques recebeu livre na área, driblou Emerson e empatou.

Com a necessidade de fazer dois e não levar nenhum gol para se classificar, o Bahia voltou para o segundo tempo com a mesma postura ofensiva.

Logo no primeiro minuto, Mantena foi lançado na área, mas chutou em cima do zagueiro. Aos 2 minutos, Nonato recebeu passe de Marcelo Sousa, penetrou na área, mas bateu para fora.

Todo à frente, o Tricolor acabou ficando vulnerável na defesa, se expondo a contra – golpes. O Galo se aproveitou disso e acabou virando o placar, aos 9 minutos. Baiano passou por três marcadores e rolou para Rubéns Júnior, na entrada da área, encher o pé e estufar as redes.

A situação fez o técnico Bobô, que, suspenso, assistia ao jogo da tribuna de honra, passar instruções a seu auxiliar Gil Sergipano, seu substituto no banco, para mudar o esquema tático da equipe. O treinador sacou o lateral-esquerdo Chiquinho e o meia Ramos e colocou o zagueiro Accily e o meia Alan. Com isso, o time mudou do 4-4-2 para o 3-5-2.

A alteração deu resultado. Apesar de continuar vulnerável lá atrás, o Tricolor cresceu ofensivamente e voltou a deixar tudo igual no placar, aos 18 minutos, com Robgol, convertendo pênalti sofrido por Mantena.

O gol incendiou a galera nas arquibancadas. Embalado pela festa de seus torcedores, o Bahia chegou à virada dois minutos depois – Alan deu um passe magistral para Sérgio Alves, que, com a frieza de um matador, esperou a saída de Milagres para tocar rasteiro, no cantinho.

A Fonte Nova quase veio a baixo. Faltava apenas um gol para a classificação tão sonhada às semifinais da Copa do Brasil e ele certamente viria. Mas o problema é que o gol não veio porque o Tricolor abusou dos erros de pontaria.

Nonato perdeu duas chances claras, o que fez a torcida se irritar e pedir a presença de Kena. A galera foi atendida, mas o jovem atacante também acabou perdendo uma chance preciosa de marcar.

No contra-ataque, o Galo quase conseguiu empatar novamente, mas seus atacantes esbarraram na excelente performance de Emerson, que fez duas defesas sensacionais, desarmando Kim e Marques quando estava cara-a-cara com eles na área.

Ao fim do jogo, os mais de 42 mil tricolores presentes ao estádio reconheceram o esforço dos jogadores do Bahia e aplaudiram de pé a atuação do time, apesar da eliminação.