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Adeus “comandante”: corpo de Lage é cremado

Dirigentes e funcionários do Bahia, amigos e familiares marcam presença no último adeus ao Superintendente do Tricolor.

02 mar 2003 | 13H37

Em cerimônia realizada no cemitério Jardim da Saudade, no início da manhã deste domingo, em Salvador, foi cremado o corpo do Superintendente do Esporte Bahia S/A, Antônio Carlos Lage Soares. Lage morreu no último sábado, vítima de um infarto fulminante, enquanto dormia em sua casa de veraneio, no condomínio Villas do Atlântico, em Lauro de Freitas, região metropolitana de Salvador.

Por solicitação de seus familiares, a equipe do eusoubahia.com, que esteve no cemitério, não fotografou o sepultamento de Lage. Também marcaram presença outros dirigentes do Bahia, familiares, funcionários do clube, ex-jogadores e profissionais de imprensa. O presidente do Tricolor, Marcelo Guimarães, que nutria grande amizade por Lage, não pôde comparecer. Ele foi representado na cerimônia pelo conselheiro do clube, Paulo Maracajá.

A emoção marcou o sepultamento. “Ele é meu ídolo e meu herói. Espero seguir o exemplo de vida dele, constituir e comandar uma família maravilhosa, onde impere a paz e a união, como ele fez”, disse um dos filhos.

Para o conselheiro Paulo Maracajá, a perda de Lage é insuperável. “Ela era a voz da coerência dentro da diretoria do Bahia. O homem que conseguia mostrar a todos o caminho certo nas horas mais difíceis. O que mais em impressionava no Lage era sua disposição e bom humor, independente da situação. Quando a coisa estava preta, lá vinha ele com um sorriso largo e contagiante, animando a todos e sempre disposto a encontrar uma solução”.

“A imagem que fica para mim é a do homem simples, que desprezava as formalidades, a despeito do cargo que ocupava. Todo o dia era sempre a mesma coisa. Ele chegava sorrindo, cumprimentando e prestando continência a todos, com muita irreverência, bem ao estilo dele. Ele fazia questão de apertar a mão de todos, da copeira ao presidente. Era chamado por nós carinhosamente de comandante. É por isso que todos nós, funcionários, gostávamos e admirávamos muito seu Antônio Carlos. O cotidiano do Bahia perde muito da alegria sem ele”, disse o editor do eusoubahia.com, Darino Sena.

A cremação de seu corpo foi uma solicitação feita por Lage em confidências a amigos e parentes. O dirigente também era avesso a formalidade, pediu para não ser cremado de paletó e gravata e foi atendido. Outro pedido de Lage acatado pela família foi o de ter o caixão envolto com a bandeira do clube ao qual amou e serviu com dignidade e competência nos últimos anos de sua vida.

Lage no Bahia

Antônio Carlos Lage Soares entrou para a diretoria do Bahia em 1997, ano em que seu amigo Marcelo Guimarães assumiu a presidência do clube. O primeiro cargo foi o de diretor de patrimônio – era o responsável pela administração da sede social do clube.

Em dezembro de 1998, após atuar interinamente como diretor de futebol, Lage assumiu a Superintendência do Esporte Clube Bahia S/A, que na hierarquia da empresa está subordinado apenas ao presidente do clube.

Nos quatro anos na Superintendência, Lage foi um dos comandantes do processo de profissionalização e modernização do Esporte Clube Bahia. Como recompensa, ajudou o clube a ser Bicampeão do Nordeste e Bicampeão Baiano.

Nos anos de 2001 e 2002, Lage acumulou a Superintendência do Bahia e o cargo de diretor executivo da Liga de Futebol do Nordeste, função que deixou no início deste ano.