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Darino Sena
Essa terça-feira foi um dia especial no Fazendão, pois marcou a volta de um tricolor histórico ao clube após 24 anos de ausência. Trata-se do Sr. Clóvis Almeida Maia, 79 anos, sócio do Bahia desde a década de 1940.
Seu Clóvis compareceu ao CT atendendo a um chamado do presidente Petrônio Barradas, que fez questão de o recepcionar pessoalmente, ao lado do vice-presidente de marketing Marco Costa e do diretor social Carlos Júnior. “Me dá extrema satisfação e felicidade vê-lo aqui novamente. Gostaria que esse exemplo fosse seguido por todos os torcedores do clube. Estamos de portas abertas para quem ama de verdade o Bahia e quer colaborar”, comentou Barradas.
Na visita ao “novo” Fazendão, seu Clóvis conheceu a hotelaria das divisões de base, os quatro campos oficiais, a concentração, o memorial e a sede administrativa. Ficou boquiaberto com a estrutura do Bahia. “Imagino como não deve ser oneroso manter isso tudo”, impressionou-se.
Seu Clóvis não conseguiu disfarçar a emoção ao retornar ao clube ao qual dedicou grande parte da vida. “Estou muito contente e espero ter trazido bons fluídos para que o Bahia volte ao lugar que merece. Vai ser o único campeão de todas as divisões.Vou torcer ferrenhamente por isso e colaborar no que for possível”. A promessa de colaboração não ficou apenas nas palavras. Seu Clóvis aproveitou a estada no CT e doou uma bicicleta ergométrica para as divisões de base do Tricolor.
A paixão
Comerciante bem sucedido da capital baiana, já aposentado, seu Clóvis ama tanto o Bahia que não consegue sequer vaiar o time. “Sou extremamente contra. A gente tem é que apoiar, principalmente quando está mal. É quando ele mais precisa de nós”.
O filho mais velho, Jorge Maia, 54 anos, que acompanhou o pai na visita, é testemunha da paixão. “Ele não fala mal de um jogador do Bahia nem quando o cara é um nítido perna-de-pau”, brinca. “Meu pai respeita muito o clube”.
O amor é certo, mas a origem não. Seu Clóvis não lembra quando começou a ser Bahia. Não precisa. O importante é exercer a paixão. E ele o faz como ninguém. O sentimento contagiou os cinco filhos e 10 netos. “Na verdade, eles não tiveram direito de torcerem por outro time”, explica, rindo.
Seu Clóvis acompanha o Bahia no estádio há mais de seis décadas. “Hoje, nem tanto, por causa da tv a cabo. Mas, de uma forma ou de outra, procuro sempre estar presente”.
Numa das andanças ao estádio para ver o Esquadrão de Aço é que seu Clóvis viveu a maior emoção da vida, em 1954. “O Bahia jogava pelo empate para ser campeão, mas perdia por 4 a 1 do Galícia, a 10 minutos do fim do jogo. Foi o tempo suficiente para Zé Hugo, com três gols, empatar a partida e nos dar o título. Inesquecível”, conta, relembrando aquele jogo que é mais especial, para ele, que as decisões dos Brasileiros de 1959 e 1988.
Seu Clóvis foi testemunha ocular dos dois maiores títulos do Esquadrão. “Em 1959, levei todos os meus filhos para recepcionar a delegação no aeroporto, quando eles voltaram do Maracanã”. Jorge Maia não esquece o dia. “Desci a escada do avião de mãos dadas com Marito. Foi a glória para mim”. Em 1988, Seu Clóvis não se contentou em assistir pela TV e foi até Porto Alegre ver a final contra o Inter, no Beira-Rio.
Seu Clóvis é tão Bahia que, questionado sobre quem teria sido o maior jogador de todos os tempos, ele sequer hesita. “Pelé? Que Pelé que nada. Para mim, craque mesmo foi o Zé Hugo. Ai se tivesse tv como hoje no tempo dele. Seria um Deus”, constata.
Sócio do Bahia até hoje, desde 1940, seu Clóvis foi conselheiro do clube por vários anos e um dos idealizadores da loteria “bolo tricolor”.
Opositor elogia
Filho de seu Clóvis, o também comerciante Jorge Maia ficou famoso na internet pela oposição à diretoria tricolor. Ele é um dos mais ativos participantes do fórum do site ecbahia.com.br e membro da Associação Bahia Livre - ABL.
Mesmo assim, elogiou a iniciativa do presidente Petrônio de convidar a ele e ao pai a voltarem ao CT. Não se surpreendeu. “Já imaginava que o Fazendão estava bem arrumado e comprovei isso com meus olhos, depois de 10 anos de ausência”.
Maia louvou o processo de abertura que vem sendo estabelecido por Petrônio desde que assumiu o clube. “Isso é inédito no Bahia Antes, opositor era tratado como inimigo. Hoje eu vejo que os dirigentes têm ao menos a preocupação de nos ouvir. Estão entendendo que nós só queremos colaborar e não destruir”.
Jorge Maia não teme ser mal compreendido por seus pares de oposição por ter ido ao Tricolor. “De maneira nenhuma. Sou opositor, mas não sou burro. Sempre pleiteei essa oportunidade de ser ouvido. Nunca me escondi e sempre assumi minhas broncas publicamente. Não perderia uma oportunidade como essa de dialogar com as pessoas que fazem o Bahia hoje. Saio contente por perceber uma mudança positiva de mentalidade”.