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Neste Bate-papo educacional, a diretora do Projeto Amigos do Bahia, Vera Guimarães, esposa do presidente do Bahia, Marcelo Guimarães, entrevista a Presidente do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia e membro da Academia de Letras da Bahia, a professora Consuelo Pondé de Sena.
Vera - Consuelo, é uma alegria e uma honra para o nosso Projeto Amigos do Bahia a sua participação em nosso espaço educacional. Conte para os nossos leitores como começou a sua trajetória profissional.
Consuelo - Comecei muito cedo, pois sempre fui interessada em leitura. Gostava muito de ler e escrever. Fiz Faculdade de Filosofia depois de terminar o curso clássico no Colégio Mercês, onde prestei vestibular de Geografia e Historia, tendo obtido o primeiro lugar. Fui indicada para a cadeira de Língua Tupi, em substituição ao professor Frederico Edelweiss. A partir de 1963, passei a ensinar na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. Ensinei Tupi, Etnologia Geral e do Brasil e Folclore, disciplinas vinculadas a área de Antropologia. Em 1974, o reitor Lafayete Pondé criou o Centro de Estudos Baianos da Universidade da Bahia e, sob a indicação do Professor Edelweiss, ocupei a direção da nova Instituição. O reitor da época, chamou-me ao seu gabinete declarando:"E não me diga que não quer ser diretora do Centro de Estudos Baianos da UFBa". Disseram que fui uma revelação no Centro de Estudos Baianos, pois o implantei, estruturei e divulguei o Órgão na mídia. Muito mais tarde, fiz o Mestrado em Ciências Sociais, com concentração na área de Historia Social, curso que concluí em 1997, quando apresentei minha tese- Introdução ao Estudo de Uma Comunidade do Agreste Baiano – Itapicuru -1830-1892.
Vera- Consuelo, durante a sua vida profissional, quais os cargos que você ocupou?
Consuelo- Já fui Vice-Presidente do Conselho da Mulher Executiva da Associação Comercial da Bahia, Diretora da Casa de Ruy Barbosa, Diretora do Arquivo do Estado da Bahia e, desde 1996, sou Presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, graças a indicação do Professor Jorge Calmom.
Vera- O Instituto Geográfico e Histórico da Bahia é, com certeza, uma Instituição muito importante. Fale um pouco sobre ela para os nossos leitores.
Consuelo- É uma Instituição difícil de ser dirigida, pois não tem recursos. É, todavia, a mais antiga e tradicional entidade cultural da Bahia. Foi criada em 13 de maio de 1894, conta, portanto, 108 anos. Nela, sempre predominaram os homens na direção. Entretanto, atrás de mim, outra mulher ocupou a sua Presidência, a professora Edith Gama e Abreu. Depois de alguns anos, passei a exercer, com muita honra, este cargo dignificante. Estou, repito, na Presidência desde 1996, cumprindo, portanto, o terceiro mandato.
Vera- Consuelo,o que este Instituto guarda de tão precioso e qual a sua contribuição para o nosso estado?
Consuelo- A Instituição guarda um acervo precioso,composto de livros antigos e modernos, peças de arte e uma respeitável pinacoteca. O arquivo e uma preciosidade, como igualmente são as peças de museu. Sua grande contribuição e cultivar as tradições baianas. Hoje, conta com a ajuda do Estado. Anteriormente, era muito mais difícil dirigi-lo do que hoje. Praticamente realizava sozinho o desfile do 2 de julho. Possui uma excelente biblioteca, dispõe de jornais muito antigos, com mais de 100 anos. Dispõe de muitos manuscritos e deste acervo saem várias teses feitas por inúmeros pesquisadores baianos, brasileiros e estrangeiros. No mês de setembro, o Instituto deu inicio a comemoração do centenário do historiador Pedro Calmom, Reitor da Universidade do Brasil por 16 anos.Foi um homem que prestou múltiplos serviços a Bahia e ao Brasil.
Vera- Consuelo,para finalizar este nosso bate-papo educacional, responda para minha curiosidade pessoal, você é tricolor?
Consuelo- Sou com certeza tricolor. O sogro de meu filho foi um grande jogador do Esporte Clube Bahia, o zagueiro central Jorge Oto Guimarães, que jogou no Bahia na época de 60 e 70.
Vera- Foi realmente muito enriquecedor para o nosso Projeto a sua colaboração. Muito obrigada.